"O que fazes da tua vida?"
Uma pergunta simples, feita por milhares de pessoas a milhares de indivíduos...
Uma pergunta que dita na entoação certa, no tom certo, pode magoar, fazer pensar, duvidar ou até enraivecer alguém... e pode até não fazer efeito nenhum...
“O que fazes da tua vida?”
Uma pergunta que dita por alguém que quase não conheces é imediatamente interpretada como um "tudo bem?" que consequentemente te leva a responder, como sempre respondes automaticamente, "vai-se andando". Sem mais demoras, sem qualquer acréscimo à conversa. Podes até responder um “E tu?” quando no fundo não tens grande interesse… mas já estás tão habituada…
“O que fazes da tua vida?”
Uma pergunta que dita por um familiar é interpretada como um “como correu o teste? Ou como vai a escola?” ao qual, como é óbvio, se responde “o teste foi assim e assim” ou “hoje um prof fez isto e isto” ou até uma história engraçada dos amigos. Nada mais.
“O que fazes da tua vida?”
Uma pergunta que colocada por um amigo mais próximo te leva a dar uma resposta mais alongada, porque te sentes melhor a desenvolver o tema, e porque até confias minimamente na pessoa. Mas… apenas até um certo ponto. Talvez uma historia recente… Talvez partilhes até uma tristeza ou alegria recente… Mas nada de muito prolongado.
Mas o que responder quando é AQUELA pessoa que te pergunta? Aquela pessoa em quem mais confias… Em quem sabes que podes confiar os teus mais profundos sentimentos.
A pergunta actua como um soro da verdade que te obriga a dizer tudo! Sentes-te naqueles momentos de profunda bebedeira em que o que quer que te perguntem é apenas respondido com a mais pura verdade.
É nesse momento que tudo cai. Todo aquele controlo anterior sobre as tuas palavras desmorona por completo e esvazias o teu coração àquela pessoa… Contas tudo, desde o mais antigo passado até ao mais recente presente! Todo aquele mar de palavras que inundava as grutas do teu ser sai cá para fora num tsunami de frases e texto embrulhados e quase incompreensíveis!
Sim, digo quase, porque qualquer outra pessoa que ouvisse a tua narração provavelmente não perceberia metade, provavelmente ignoraria uma ou outra parte.
Mas não esta pessoa. Não a pessoa em quem confias.
Esta pessoa ouve todas as palavras, e entende tudo, por mais confuso que seja o teu discurso, e apanha todos os momentos…
Repara naquela cara especial que fazes ao referir uma pessoa… Naquela lágrima que se recusa a cair quando mencionas uma dada recordação. Repara como as tuas mãos tremem ao falares daquele momento. E não deixa passar nada.
Socorre cada movimento teu, limpa cada lágrima que não caiu, e segura-te quando sente que vais cair.
E é nesta pessoa que tudo o que é teu se mostra verdadeiramente.
Só e unicamente porque perguntou “O que fazes da tua vida?”.
E talvez a essa pessoa que tu também deves perguntar “O que fazes da tua vida?”. E nesse ponto, fica atento. Pois é nesse momento que a pessoa mostra o que realmente significas para ela.
Uma pergunta poderosa, não?
dedicado a todos aqueles a quem eu entrego o meu coração
especialmente a ti Li
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