
Era eu a tentar convencer-me que te amava...
Quando tinha mais dúvidas que as sementes duma romã...
Eras tu a forçar algo que já há muito tinha rompido
Quando ambos fechávamos os olhos ao inevitável...
Eras tu a fechar-te para mim
Feito ostra que guarda a sua pérola mais preciosa
Era eu a fingir que não queria saber...
Fingindo que era rica demais para a tua pérola...
Eras tu a rezar para que desaparecesse
Era eu a teimar em ficar
Eras tu a amar o que tínhamos
E a odiá-lo ao mesmo tempo...
Erámos ambos a tentar reconstruir algo
Que há muito já tinha virado pó...
De impossível reconstrução...
E foi assim que nos cansámos.
Foi aí que tudo quebrou.
Virou cinzas, e desapareceu para a vida.
Deixámos de existir
Deixámos de ser.
Quebrámos os dois.
Agora...
Sou eu a convencer-te de que te amo
Tu a convencer-te de que me amas...
Sou eu com medo de virar algo demais
Algo que depois não tem retorno.
És tu a fazer das tripas coração,
Para que este tenha o tamanho de dois amores.
És tu com medos infindáveis
Que te recusas a pôr em palavras.
Sou eu a ter a força que nunca tive.
Sou eu a quebrar vezes e vezes sem conta.
És tu a ver algo que nunca viste.
És tu com medo de que o teu amor não resida aí.
Sou eu a lutar pela tua felicidade,
E a desejar que seja igual á minha.
És tu a lutar por algo que julgas já sem esperança,
Mas recusas a admitir a derrota.
Somos ambos com medos infidáveis
Que nos recusamos a contar
E que ambos sabemos quais são, como são
E a sua forma mais pura.
Mostramo-nos um ao outro.
E amamos o que vemos.
Não me ames porque te amo.
Ama-me pelo que sou.
E eu sou-o para ti.
Amo-te mais do que o mundo poderia descrever,
Com as suas melhores planíces e prados
Com os seus infidáveis oceanos
Ou com a sua beleza eterna.
Amo-te na forma mais pura do amor.
O fogo que alimenta esta chama é nosso.
Não será de mais ninguém.
Entrego-me a ti, na minha forma mais pura.
Amo-te
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