sábado, maio 24, 2008

Pessoas

Lembro-me de que quando vim para a faculdade, vim com a falsa inocência que de que vinha para um ambiente adulto, de pessoas adultas, com conversas adultas e atitutes adultas.
Agora que estou a acabar vejo o quão errada eu estava.
Entrei num ambiente pior do que a infantilidade e tão astuto como a maturidade pode ser.
Descobri que o teu melhor amigo pode ser o teu pior inimigo sem tu nunca vires a saber.
Descobri que toda a gente que te rodeia pode saber disso, mas poucos são os que realmente te avisam (e muitas vezes, tu nem sequer ouves o aviso).
Descobri que podes pensar que tens os olhos bem abertos para as "maldades" das pessoas "más", e no final não tens os olhos abertos para o que realmente deverias ter... Ou nem sequer tens os olhos abertos ponto.
Descobri que aqueles que são atirados verbalmente contra uma parede, que são maltratados, que são ignorados e até insultados diariamente, podem muito bem ser as melhores pessoas que alguma vez terás o prazer de conhecer.

Toda a gente diz que a geração de hoje em dia, a chamada "geração Morangos com Açúcar" é acriançada e não sabe o que faz.
Pois eu não falo desta geração, nem das anteriores, nem das que virão. Falo das pessoas. Porque é isso que elas são, pessoas. Não passam de pessoas.
Pessoas que têm pais ricos e não ligam ao dinheiro, ou pessoas pobres que nunca souberam o que é gastar dinheiro por prazer.
Pessoas cujos pais são um nojo, e pessoas que têm os melhores pais que alguém poderia querer.
Pessoas educadas, e pessoas não educadas. Reparem que a expressão usada foi não educadas, e não a vulgarmente usada mal-educadas.
Uma pessoa pode ter sido educada, pode ter sido mal educada, ou pode não ter sido educada. Pelo que tenho visto ultimamente, acho que podemos reduzir a apenas duas: educada ou não.
Com isto não quero dizer que a culpa é dos pais ou de quem os criou, a culpa é sempre da pessoa que comete o acto ou diz as palavras. Sim, a educação dada pode, e é, muitas vezes usada como desculpa para o que a pessoa faz. Peço desculpa, pessoa não, criança. Porque esta desculpa pode ser apenas usada em crianças.
Não em pessoas que já estão na faculdade, e por isso já se encontram acima dos dezoito anos e por isso segundo a lei são já adultos. São julgados e condenados como adultos. E por isso as suas atitudes são apenas suas e de mais ninguém.

Digo isto tudo porquê?
Porque quando ingénuamente entrei para a faculdade tentei ao máximo agradar todas as pessoas que me rodeavam. Fossem ou não conhecidas.
O que sempre me ensinaram em criança foi que se deve ser sempre educada para os adultos. Ora eu já era adulta, já tinha passo os dezoito anos, no entanto no meio de tanta "adultice" da qual eu me julgava rodeada, eu considerava-me a mim mesma uma criança, e portanto tinha atitudes como tal.
Adorava brincar com todos. Andar á porrada com os rapazes. Fazer amigas entre as raparigas. Pedir desculpa quando magoo alguém. E uma míriade de outras coisas não relevantes para este texto.

Fiz isto tudo, porquê? Porque me julgava criança, e seguia então os ensinamentos dos meus pais, a educação que estes me deram.
No entanto, eu já não era criança. Soube isso no dia em que percebi a fatídica frase já muito usada de que "a vida não é justa". Como o soube não interessa. A verdade é que realmente no momento em que percebi isso, abri um pouco mais os olhos e realmente comecei a ver o que realmente me rodeava.
Não eram adultos. Eram todos como eu. Aparentavam ser adultos.
Não eram amigos. Eram pessoas mascaradas de amigos. Aparentavam ser amigos.
Não eram sorrisos. Era falsidade.
Não eram brincadeiras. Era gozo.
Quando vi que tudo o que eu achava que era, afinal não era bem assim, comecei a perguntar-me o que seria mesmo o que era e o que afinal não era nada.
Não sabia. Nunca o soube, e continuo a não saber.
É tudo uma questão de ter os olhos abertos.
Aí amadureci.

Quando alguém vem á minha beira e diz x e y negatividades sobre outra pessoa, eu ouço com atenção, como toda a gente merece, e não teço qualquer comentário, nem coloco na minha mente qualquer adjectivação da pessoa falada. Deixo apenas anotada a pessoa que falou.
Quando mais tarde venho a conhecer a pessoa falada várias coisas podem acontecer:
- a pessoa era realmente x e y, e então quem me falou tornou-se mais perto de ser meu amigo pelo aviso que me fez, e a outra pessoa fica no que eu gosto de chamar "sob vigia" (mais tarde explico este conceito, para que não seja mal interpretado).
- a pessoa aparenta ser x e y, mas faz algo que na realidade me mostra que o não é. E então quem me falou passa a estar também "sob vigia" e a primeira passa a ser realmente valorizada na minha cabeça por saber que é mal falada nas coisas, mas na realidade não ser.
- a pessoa não era x e y. Então esse alguém que me falou mostrou o seu verdadeiro carácter, e esta pessoa passa a estar mais perto de ser um amigo.
- a pessoa aparenta não ser x e y, e no entanto é isso e muito mais. Acho que nem vale a pena considerar este caso, e passo a explicar porquê:
Não gosto que me falem negativamente de pessoas que eu não conheço.
Não gosto que me falem negativamente de pessoas que não conhecem.
Não gosto de falar negativamente seja de quem for.
Cada um é como é. Se o sabe ou não, depende dos seus amigos e de si mesmo para que isso aconteça. E então chegamos ao meu ponto chave.
Para se conhecer verdadeiramente uma pessoa, é preciso ser amigo dessa pessoa. E então aí sabes como ela é, como se comporta, os aspectos negativos e positivos.
Quando alguém te fala de outra pessoa sem a conhecer, então tu passas a conhecer a pessoa que te está a falar. E se ainda não percebeste até agora, passa a perceber, que não é boa pessoa. Conselho: afasta-te.
Quando alguém te fala de outra pessoa, e realmente a conhece ao promenor, então é porque é amiga dessa pessoa. E no entanto fala mal dela nas costas, logo grande amiga não pode ser.

Quem quer que esteja a ler este texto neste momento pode dizer que eu também estou a mal dizer de muitas pessoas sem as conhecer. O problema é que eu não estou a mal dizer de ninguém. Eu estou a falar de pessoas e acções e palavras. E nada mais. Não estou a falar de nenhuma pessoa, quer para bem, quer para mal.

Agora sim, vou falar de pessoas que quem me conhece vão saber quem são. No entanto, nunca irei mencionar nomes.
Eu cometi o erro básico duma pessoa ingénua. Se alguém chega á minha beira e me diz que uma outra pessoa é assim e assado (tudo em termos negativos), este alguém é meu amigo e está a tentar proteger-me contra a tal outra pessoa má.
Mentira. Aprendi isso da pior maneira.
Aí amadureci de novo.

Ora se ainda te lembrares, eu comecei o texto a falar de pessoas que julgava adultas e afinal eram apenas crianças. Melhor, eu usei o termo "pior que a infantilidade e tão astuto como a maturidade".
Não escrevo este texto apenas porque as pessoas falam mal umas das outras. Toda a gente o faz. E é ingénuo pensar que não. Não digo que o seja correcto, mas acontece.
Escrevo porque percebi que tão facilmente como se mal fala nas costas, também assim se magoa. Pior é quando o fazem de propósito.
Quando eu vejo alguém a ter atitudes que sabe que vão magoar aquela pessoa que está ao seu lado, e no entanto as fazem, muitas vezes de propósito, aí sim eu percebo como o mundo pode ser cruel. Pior, como as pessoas podem ser crueis.
Eu nunca tomaria uma acção que magoasse alguém que conheço. Podia ser o meu pior inimigo, eu nunca o faria. Não quero com isto dizer que sou a maior ou que sou uma pessoa espectacular, porque não o sou. Sou humana. Sou uma pessoa como todas as outras.
E qualquer pessoa que me conhece minimamente pode apoiar este último parágrafo.

Quando me dizem: tu és demasiado boa pessoa. Mentem. Mesmo sem saber, as pessoas estão-me a mentir.
Eu não sou boa pessoa, eu sou apenas uma pessoa.
Levo em consideração todos os outros á minha volta? Levo sim senhor.
Trato os outros como gostaria que me tratassem a mim? Sim, faço isso.
Mas faço mesmo. Não é um caso do "olha para o que eu digo e não para o que faço". Faço-o e esforço-me por o fazer. E quando não o faço, é inconscientemente, e quando me apercebo... bem, quando me apercebo já é tarde (desculpas não se pedem, evitam-se. Mas é sempre bonito pedi-las, e mostrar que se está arrependido), e então evito fazê-lo de novo.

O que eu sou, qualquer um pode ser. O que eu faço, qualquer um tem a capacidade de o fazer.
A escolha é de cada pessoa se o quer fazer ou não.
No entanto há que ter em atenção uma coisa. Eu posso sempre ter em consideração os outros, mas nunca deixo de ter consideração por mim. E aqui vem a espressão "sob vigia".
Eu mantenho-me sempre de olhos abertos para pessoas que agem mal.
O que quero dizer com "agem mal"? Fácil. As pessoas que falei acima, que falam mal dos outros, que os magoam, que não mostram verdadeiros remorsos e que não têm em consideração mais ninguém que não sejam elas mesmas.
Mesmo que essas pessoas nunca me tenham tocado sequer com uma pena, se o fazem aos outros, quem me diz que não o podem fazer a mim?
No entanto, não as crítico, não as ignoro, não lhes aponto o dedo.
Contínuo lá, e continuo a ter em consideração os seus sentimentos.
Ás vezes na esperança de que essas pessoas se apercebam, e crescam e vejam o que estão a fazer.
Ás vezes, e aí sim, porque sou demasiado ingénua, e acredito que todos um dia serão boas pessoas.

Para finalizar, quero apenas agradecer áquela pessoa que sempre me chamou "boa pessoa", não como um elogio, e sempre como um aviso.
Graças a essa pessoa cresci mais que alguma vez alguém possa imaginar.

Graças a todos os que me fizeram mal, pude tornar-me no que sou hoje.
Graças a todos os que me ajudaram, pude ser o que sou hoje.
Graças á crueldade e beleza da vida, pude crescer e ser eu mesma.

Qualquer um pode ser uma boa pessoa, desde que mantenha sempre os olhos abertos. Desde que também seja boa pessoa para si mesmo.
E visto que qualquer um pode ser boa pessoa, basta decidir sê-lo, eu não sou nada.
Sou apenas uma pessoa, que tomou uma decisão.

k&h
Ni

1 comentário:

Anónimo disse...

sob pessoas , adorei mto esse texto, tem td a ver com a realidade de hj.... parabens e eh isso ai mesmo


junior

juninhucobain@hotmail.com